• Porbarbara julian
  • Publicao:jan 07, 2020
  • Categoria:Sem categoria
  • Tags:

Meditação, o ócio contemplativo – 3a parte: Sacralizada insatisfação

Compartilhar

Insatisfação Meditação, o ócio contemplativo - 3a parte: Sacralizada insatisfação

Contraditórios, criativos, apaixonados, desesperados, egoístas, poéticos, arrogantes, impiedosos, delirantes, amorosos e, principalmente, confusos: assim somos nós, a espécie humana.

Transformamo-nos em quase deuses, mas alguma coisa não funciona. Não conseguimos desfrutar a felicidade. Buscamos incessantemente por ela na promoção e reconhecimento profissional, no status social, na paixão, na fé, nos músculos bem delineados da nossa juventude, numa mesa farta, num conhaque envelhecido, nos paraísos artificiais, no futuro assegurado para os nossos filhos, no bilhete da loteria.

E, ainda que conquistemos todas estas coisas, não estamos felizes, pois agora sofreremos para manter todas essas conquistas. E, mesmo que consigamos assegurá-las, não estaremos satisfeitos: vamos morrer um dia, e perderemos tudo.

Estes questionamentos não são novos. Caminham com a humanidade desde que ela se diferenciou das outras espécies por adquirir consciência (segundo o Dicionário Aurélio: atributo altamente desenvolvido no ser humano e que consiste na faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados, conhecimento imediato de sua própria atividade psíquica).

Pois é essa consciência de si toda a nossa glória e o nosso jugo. Nenhum cachorro ou gato, ou macaco, sofre por antecedência como nós o fazemos, diante da morte. Nem mesmo tem consciência de que um dia morrerá. Nenhuma outra espécie sofre por remorso ao matar. Ou, diante da fêmea no cio, escolherá não copular. Os outros seres não têm poder de escolha, de julgamento, de certo ou errado. Nenhum júri de hienas irá condenar um leão à morte por ter destroçado um gnu.

Sofremos porque, uma série de coincidências evolutivas levou a nossa espécie adquiriu consciência. Podemos mesmo dizer que somos uma aberração da natureza. Padecemos porque já não podemos manifestar toda a nossa instintividade animal sem culpa e, embora vislumbremos todo o potencial de uma consciência plenamente clarificada e desenvolvida, esta mesma instintividade não nos permite atingir os níveis mais sutis e refinados.

 

(Continua na semana que vem)


Compartilhar
Share on
Avatar
barbara julian