• PorJoris Marengo
  • Publicao:fev 15, 2018
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VOCÊ QUER TER RAZÃO OU QUER SER FELIZ?

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Razão-300x199 VOCÊ QUER TER RAZÃO OU QUER SER FELIZ?

Esta pergunta me foi apresentada pelo meu querido amigo e parceiro de profissão, Professor Fabiano Gomes, que antes de ser um muito bem-sucedido profissional do DeRose Method, foi um muito bem-sucedido advogado. Ele, sabiamente, utilizava a pergunta ao cliente sempre antes de iniciar um processo litigioso.

Eu gosto muito dela e nós podemos utilizá-la para praticamente qualquer forma de relação: namoro, casamento, negócios, trabalho etc.

Quem de nós não tem entre seus colegas de trabalho, esporte, estudo, amizade etc, uma pessoa que deseja ter sempre razão. É sempre dela a última palavra. Parece viciada em discussões. Um chato, enfim. E em minha opinião, um infeliz.

Com o passar das décadas, observei que, principalmente nas relações afetivas, esta citação tem um valor preciosíssimo, pois naquelas em que um dos parceiros sempre quer ter razão, existe um grande risco de se construir um namoro ou união estagnados.

– Você já notou que a grande maioria dos conflitos humanos acontece porque nós não conseguimos entender ou aceitar o ponto de vista da outra pessoa?

Aos 60 anos de vida descobri que existem formas diferentes das coisas serem feitas além do meu jeito. O meu jeito é só uma maneira de executar, existindo outras possibilidades e algumas delas muito mais inteligentes do que a maneira como eu faço as coisas.

Durante 20 anos dirige a Federação do DeRose Method de Santa Catarina e durante 30 anos dirige a escola do DeRose Method Floripa e nesse período todo, sempre liderei muitas pessoas com um estilo de liderança, como um bom filho da Geração Baby Boomer, não tão democrático assim.

Ao olhar para trás, embora tenha realizado muitas coisas como dirigente, uma parcela das vezes foi uma experiência frustrante, pois tinha muitas ideias e queria que as pessoas as realizassem, não dando espaço para que elas pudessem contribuir com ideias próprias.

Hoje trabalhando como um consultor sênior da Federação e da escola do DeRose Method Floripa, experimento algo muito curioso: contribuir ao invés de liderar. É um exercício muito instigante o de permitir, possibilitar, abrir espaço para que as ideias de outras pessoas prevaleçam.

Agora, curiosamente, independentemente de se fazer as coisas do meu jeito ou de outro, sugerido por outra pessoa, nós chegamos recorrentemente aos mesmos resultados. Às vezes mais rápido, outras vezes mais lentamente, sempre basicamente alcançamos os resultados esperados. Isto para mim é uma revelação.

No casamento é a mesma coisa. Descobri que é um grande barato fazer as coisas do jeito da outra pessoa. Porém para isso é fundamental que tenhamos muito, muito, muito claro:

  1. O que nós podemos abrir mão sempre
  2. Aquilo nós podemos abrir mão de vez enquanto e
  3. Os princípios que nós jamais devemos abrir mão.

Uma relação a dois é, em minha opinião, essencialmente uma relação de trocas e negociações infindáveis por todo o seu percurso. Quando essas transações são boas e mutuamente vantajosas, o casamento avança e se fortalece.

No entanto, quando essas combinações causam frustração, irritabilidade, decepção ou uma sensação intangível de violentação dos nossos valores ou algo parecido, teremos um quadro de muitos conflitos.

Descobri que existe um pequeno número de valores que são vitais para minha felicidade e que se eu desejar construir uma relação boa e positiva não devo jamais abrir mão delas. Testei isso no último casamento e foi muito positivo. Durou 5 lindos anos e separamo-nos porque ela queria construir uma família e eu respeitei a sua escolha. Vale observar que somos muito bons amigos.

Alerto, desde já, que essa listagem não pode ser grande senão teremos uma convivência cerceada de tantas limitações, de tantas restrições, que a outra pessoa acabará por desistir da gente.

Quando são claros para nós quais são aquelas cinco ou seis poucos princípios sobre os quais jamais precisemos fazer concessões, devemos compartilha-los com o cônjuge. Igualmente, que estimulemos o outro a relacionar aqueles cinco ou seis aspectos fundamentais que nunca devam ser violados, por respeito à essência do outro.

Quando esta troca é feita, a relação pode avançar para um patamar de felicidade, plenitude e de trocas justas inimagináveis à maioria dos casais.

No entanto, na maioria dos namoros e matrimônios, o que acontece é que, ingenuamente, um espera que o outro perceba sem precisar falar:

– É obvio! – é o que ouvimos do outro, recorrentemente, como se ele desenvolvesse a capacidade de ler pensamentos ou saber o que passa dentro das nossas cabeças e corações.

Porém, só quando e unicamente verbalizamos, nosso parceiro de vida saberá efetivamente estabelecer conosco uma relação feliz e inteligente de trocas, concessões e poucas restrições. E vice-versa.

E surpresa: quando aqueles valores fundamentais são respeitados e, portanto, não nos sentimos frustrados ou ressentidos, ao ocorrer alguma discussão por diferença de pontos de vista, não nos melindramos e pedimos desculpas recorrentemente, mesmo e principalmente quando temos razão!

Na minha humilde opinião, uma grande evolução relacional.


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