• Porbarbara julian
  • Publicao:jan 14, 2014
  • Categoria:Sem categoria
  • Tags:

Labor X Primatas – Método DeROSE nas Empresas – parte I

Compartilhar

(Extraído do livro Método DeROSE nas Empresas)

 As empresas, grandes, média ou pequenas, simbolizam a síntese da civilização. Tudo o que o ser humano necessita é imaginado, elaborado, aprimorado, desenvolvido e distribuídos por elas, sejam elas de serviços ou produtos.

 Mais do que isso: estamos imersos em uma realidade onde nascemos em uma organização denominada maternidade, somos educados em outra batizada escola, aprendemos uma profissão em uma empresa chamada universidade, casamos em outra conhecida como igreja e trabalhamos dentro de uma ou mais organizações por toda a nossa vida útil. Quando adoecemos somos cuidados por uma delas e quando morrermos, seremos enterrados por outra.

Porem, para sobreviverem, as empresas necessitam de um elemento fundamental, sem o qual elas não podem gerir riqueza: o fator humano. As corporações necessitam de pessoas para administrá-las. São elas a alma das organizações e carecem de cuidados permanentes, pois a morfologia e cérebro do primata humano não foram elaborados originalmente para trabalhar ou viver como hoje o fazemos.

Um desafio evolutivo

 Quanto mais conhecemos o organismo humano e, simultaneamente, nos comparamos aos demais primatas, nossos primos próximos, fica patente a existência de uma incompatibilidade estrutural entre trabalho e corpo.

 Ao contemplar orangotangos, chimpanzés, bonobos e gorilas na natureza, observa-se sua busca contínua por um conceito básico de economia de mercado e que aplica-se perfeitamente ao seu modus operandi: conseguir o máximo de energia com o mínimo de esforço. Desta maneira, tentam preservar a maior quantidade de combustível, garantindo sua preservação individual e conseqüentemente, da espécie.

 O fato é que nossos braços, pernas, coluna vertebral, visão e audição primatas, não foram originalmente elaborados para executar tarefas repetitivas ou realizá-las por muito tempo. Fomos construídos para dormir, comer, divertir, competir, procriar e conviver em grupos pequenos e coesos, aonde encontramos segurança e reconhecimento.

Este conflito estampa-se, por exemplo, quando procura-se uma definição para trabalho. Encontramos adjetivos nada elogiáveis tais como faina, esforço extremo ou incomum, labuta. A origem da palavra trabalho, vem do latim tripalium, instrumento de tortura romano, um tripé constituído por três espeques cravados no solo, formando uma pirâmide, onde martirizavam-se os escravos, derivando-se daí o verbo latim tripaliare ou torturar no tripalium.

Também acompanhando a evolução do trabalho através da História, identificamos a mesma contradição. Enquanto o período pré-histórico foi caracterizado por uma economia de subsistência e pela distribuição das tarefas, já na Antiguidade, quando o domínio de ferramentas e animais permitiram ao homem a produção e estoque de grãos, a atividade laboral foi imediatamente delegada a escravos.

 Primatas humanos necessitam de desafios, estimular sua curiosidade inata, coragem, capacidade para criar e inovar. Só assim somos felizes. Nem sempre a atividade laboral oferece tantos estímulos. E por isso adoecemos.

O preço da civilização

 Há milhares de anos, com o surgimento da agricultura, o homem coletor, caçador e errante, deu lugar ao homem lavrador assentado à terra, fixo, que desenvolveu o sentido de propriedade, de território e de família. Iniciava-se, então, o processo civilizatório.

 E assim, o mamífero humano permaneceu em um estilo de vida predominantemente agrícola. Embora já não mais exclusivamente caçadores, nossos antepassados possuíam uma ótima forma física, pois a sobrevivência dependia quase que unicamente do seu esforço corporal: caçando, lavrando, semeando, colhendo e protegendo a terra.

 Uma grande mudança decorreu da Revolução Industrial, que modificou totalmente seu estilo de vida. A Humanidade já não acordava com o canto do galo, aos primeiros raios de sol, colocando a enxada ao ombro, ou encilhando o cavalo para arar a terra, fonte básica do seu sustento. Em 1848, na Inglaterra, adultos trabalhavam nas fábricas até 18 horas por dia e crianças e mulheres, 14 horas. Era a Revolução Industrial chegando e mudando definitivamente o mundo até então conhecido.

 O ser humano saltava de uma mão-de-obra prioritariamente agrícola para a mão-de-obra fabril, na qual o elemento humano valia menos ou tanto quanto as máquinas as quais manipulava.

 Em 10.000 anos, sem predadores que realizassem a seleção natural da nossa espécie, reproduzimo-nos em quantidade excessiva, aglomeramo-nos em grandes cidades uns por cima dos outros, conquistamos o “pão de cada dia” não mais pelo suor da atividade física, mas sim pelas oito horas diárias defronte ao computador, ou atrás de um volante enfrentando engarrafamentos, ou nas longas reuniões de trabalho e infinitas esperas em aeroportos. Tornamo-nos definitivamente sedentários e pagamos, diariamente, o ônus do conforto da tecnologia contemporânea, e da falta de qualidade de vida.

 Em menos de 200 anos a agricultura, os predadores e a natureza inóspita que mantinham o homem permanentemente em forma, foram sendo substituídos pelas oito horas diárias defronte ao computador, ao volante enfrentando engarrafamentos ou, ainda, em longas reuniões de trabalho, infinitas esperas em aeroportos, fins-de-semana olhando um televisor, no shopping, no restaurante ou no cinema. O máximo de movimentação orgânica da maioria das pessoas tem sido uma caminhada esporádica ao redor da quadra ou o futebol de fim-de-semana. Tornamo-nos, assim, definitivamente sedentários e, com isso, pagamos diariamente o ônus do conforto e da tecnologia contemporânea: a falta de qualidade de vida biológica.

 (Continua na próxima semana)


Compartilhar
Share on
Avatar
barbara julian