• Porbarbara julian
  • Publicao:jan 07, 2014
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A Nova Humanidade – 2a parte – a educação: adestramento para a sobrevivência

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Olhe uma leoa ensinando seu filhote a caçar. Os maneirismos e os truques são treinados à exaustão até a cria estar pronta para seguir sozinha. Então a mãe a larga para o mundo. A leoa nada mais está fazendo do que educar.

 Quando tive meu primeiro filho, me senti imobilizado, apavorado. Olhava para ele e o via como uma tela branca, sobre a qual poderia construir uma obra abstrata ou clássica, mas depois de terminada, não teria como voltar.

 Perguntava-me:

 – O que ensinar ao meu filho, se esta escolha o influenciará e moldará para sempre, modelando suas escolhas no futuro?

 Afinal, educar é ajustar, condicionar o indivíduo, ativa e passivamente, as regras, normas e costumes de uma determinada época e lugar. É um treinamento que todos os mamíferos recebem para condicionar seus reflexos, formatando hábitos de maneira a torná-lo, por um lado ajustado ao meio social onde nasceu, de maneira a reduzir ao mínimo o risco da rejeição do grupo, pois então ele estará vulnerável; de outra forma, na posse das capacidades indispensáveis para garantir a sua integridade física (luta) e sustentação (caça).

 Na pré-história, os pais ensinam os filhos a sobreviver a partir do conhecimento acumulado pelo grupo: caçar, plantar, cozer e lutar, por exemplo. Ensinava-se a prole para que estivesse equipada para sobreviver. Os pais esmeravam-se em dar os melhores ensinamentos possíveis, baseados na informação adquirida pelo grupo através da experiência sobreposta.

 Com o desenvolvimento de sociedades mais complexas, a educação mudou de sentido, uma vez que, passou a ser realizada em grupo e tornou-se responsabilidade de alguns indivíduos especialmente preparados para a tarefa de ensinar. Pouco a pouco, o papel da educação transformou-se em treinamento para o condicionamento de reflexos e formador de hábitos. Dessa forma, esta adquiriu cores moralizadoras e competitivas, necessárias para garantir o ajustamento e sobrevivência do mamífero humano em grupos cada vez maiores. A partir da especialização das funções sociais, onde cada indivíduo começou a exercer uma atividade necessária a comunidade e de onde ele extraía o seu sustento, a educação converteu-se em treinamento destas funções.

Na idade média, a formação dos membros da espécie humana foi dominada pelo pensamento religioso que excluiu o raciocínio e a individualidade da educação. A igreja praticamente tomou posse de todo o conhecimento acumulado, e acrescentou-lhe uma leitura sobrenatural, mística. Ao cidadão foi vetado o acesso à informação, a não ser que este se tornasse também um religioso. A transmissão do conhecimento neste período foi usada como mero instrumento de coerção e de repetição dos modelos pré-concebidos e aceitos, de comportamento social e conformidade com as condições de vida de cada um. O principal ensinamento educacional desta época é o conformismo e o fatalismo.

 O período moderno transportou consigo o avanço da ciência e do individualismo. Estas características também influenciaram o processo educacional na medida em que o pensamento científico organizou escolas e períodos de estudo, bem como temas respectivos para cada etapa distinta. No entanto, o papel principal da educação continuou sendo o de treinar o cidadão para a reprodução de padrões pré-estabelecidos e aceitos socialmente: o ensino das boas maneiras e disciplinas preparatórias para os estudos superiores, profissionalizantes.

No período contemporâneo, a informação se democratizou. Embora ainda existam milhões de analfabetos no planeta, nunca tantos seres humanos tiveram acesso ao conhecimento. Um exemplo emblemático é a cena de um documentário, em que um pesquisador, numa aldeia nos confins da Namíbia, que há milênios vive de passagens de caravanas, ampliava os horizontes das crianças nativas através da internet via satélite.

 A sociedade compreendeu a importância da formação da criança. Novos sistemas educacionais surgem todos os dias, mais humanizados e preocupados em estimular a criatividade, a socialização e o respeito à individualidade. Novas disciplinas, mais focadas nas necessidades dos indivíduos para ajustar-se a um mundo em mutação permanente, são integradas ao currículo escolar.

Durante ano a avaliação da inteligência de uma pessoa era medida pelo seu QI (Quociente de Inteligência). A inteligência sempre foi concebida como a capacidade geral, incluindo raciocínio, planejamento, solução de problemas, pensamento abstrato, compreensão de idéias complexas, rapidez de aprendizagem e aprendizado por meio da experiência, levando-se em conta principalmente a capacidade intelectual.

 Hoje se sabe que inteligência é algo muito mais amplo. Existem indivíduos que tem habilidades emocionais inatas, capazes de aproximar, integrar e mover um grande número de pessoas, e, no entanto, incapazes de realizar um simples cálculo aritmético. E não precisam dele para viver com dignidade. E uma pessoa emocionalmente inteligente.

Outras são incapazes de desenvolverem uma redação simples, mas se colocarmos uma bola nos seus pés, milhares de pessoas irão aos estádios, que aclamarão seus nomes, tais as aptidões sinestésicas incomuns que apresentam como visão periférica, reflexos, impulso, força, etc. Estes, como Pelé, apresentam inteligência corporal.

 Outras apresentarão inabilidades para todas estas coisas, mas possuem uma competência incomum para prever situações futuras e identificar novos pontos de vista e soluções inovadoras. São pessoas com inteligência intuicional.

 Algumas modalidades de reeducação. como o pilates, tem procurado ajudar nesta empreitada, mas restrigeem-se apenas a área orgânica e não englobam remodelação de hábitos, alimentação, sono, concentração, intuição, etc.

A Nossa Proposta Cultural, propõem-se a reeducar integralmente. Estimular permanentemente as capacidades de aprendizado do praticante, aumentando sua cultura e exercitando áreas adormecidas do cérebro, são alguns exemplos do nosso modelo de adestramento integral.

 Outras modalidades de aprimoramento seriam: treinar a destreza emocional; ensinar a conhecer o corpo, ampliando reflexos e habilidades motoras, aprofundando o contato com órgãos, músculos, ossos, glândulas, nervos, de forma a funcionarem como uma orquestra bio-sinfônica, além cultivar estados intuitivos para alcançar respostas inovadoras aos desafios dos nossos tempos.

Na próxima semana, a 3a parte: Higiene e Trabalho


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barbara julian